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COLETIVA À IMPRENSA- Operação Condor

COLETIVA À IMPRENSA


O Movimento de Justiça e Direitos Humanos realiza na próxima segunda-feira, 10 de dezembro, às 14h30min, na sede da entidade (Borges de Medeiros, 340/ Sala 94) uma Coletiva à Imprensa para expor novos dados e fatos da  Operação Condor. Nesse ato, estará presente o cidadão argentino Carlos Claret, uma das vítimas dessa operação, acontecida em Passo Fundo/RS, no dia 12/09/1978, sendo salvo por ação direta do MJHD.


Conforme Jair Krischke, presidente do MJDH/RS, o episodio ocorreu dois meses antes do famoso sequestro do casal uruguaio Lilian Celiberti e Universindo Dias, ocorrido no dia 12/11/1978. Também será anunciada a exibição do filme EL CLAVEL NEGRO, que acontecerá no dia 11 de dezembro, às 19hs, no Santander Cultural, com uma Seção comentada. O filme fala do resgate de inúmeros prisioneiros políticos (inclusive brasileiros), do Estádio Nacional, do Chile,  convertido em grande campo de concentração, quando do golpe de 11 de setembro de 1973.

Carlos Claret


 Natural de Entre Rios, República Argentina, nascido em 05 de novembro de 1948. Formado em 1971 como Engenheiro mecânico na Universidade de La Plata, na província de Buenos Aires, Argentina. Em meados de 1974 e durante todo o ano seguinte, a casa em que vivia com a família, na Calle Cuba, foi invadida diversas vezes, tanto pelo Exército quanto pelas Polícias, Federal e Provincial.
Acabou por ser expulso da Universidade de Rio Cuarto, perdendo os cargos de Decano e de Professor sem nenhuma indenização ou qualquer espécie de reparação por este expurgo.


Conseguiu escapar para o Rio Grande do Sul onde viveu na clandestinidade, fugindo da repressão argentina. No começo de 1977 obteve Carteira de Trabalho e foi admitido na empresa Menegaz S.A, em Passo Fundo/RS, onde exerceu as função de Gerente de Produto (Linha Fenação). 


Preso naquele município no dia 12 de setembro de 1978, fato que ocorreu em plena via pública, em operação bastante espetacular e ostensiva, tendo sido utilizadas varias viaturas militares, bem como viaturas da policia política (foi objeto de matéria publicada sem maiores detalhes no jornal “O Nacional”, de Passo Fundo/RS - edição do dia 18/09/1978).


Após a prisão,  Carlos Claret foi levado para  o quartel do 3º Esquadrão do 5º Regimento de Cavalaria Mecanizado, ao tempo sediado em Passo Fundo/RS. Posteriormente foi encapuzado, algemado e, finalmente, colocado no banco traseiro de um Volkswagen, para ser transportado por agentes da Polícia Federal para Porto Alegre. Na Superintendência da Policia Federal em Porto Alegre, foi torturado e interrogado por agentes brasileiros e argentinos.


Foi em 29 de setembro de 1978, quando já se encontrava preso nas dependências da Polícia Federal, no endereço acima referido, é que o então representante no Brasil do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), senhor Guy Prim pode ter contato pessoal com o senhor Claret, entendendo de imediato  que se tratava de um caso típico de repressão política, fazendo jus assim, a  concessão do status de “REFUGIADO POLÍTICO”, não somente para o próprio, mas também para sua família. Desta forma, contrariando frontalmente o que alegavam as ditas autoridades, ao justificarem que a “prisão para fins de deportação” e que se dera  em observância a Portaria nº 444/77, do Ministério da Justiça.


               Na verdade, se tratava de mais uma das tantas operações ilegais e totalmente clandestinas, a famigerada “Operação Condor”, que eram realizadas em território brasileiro, em estreita colaboração entre os aparelhos repressivos do Brasil e da Argentina. Certamente, este é mais um, entre outros casos acontecidos anterior e posteriormente, como por exemplo, o famoso caso do seqüestro dos uruguaios Lilian Celiberti, seus dois filhos menores e o jovem estudante de medicina Universindo Rodríguez Diaz, ocorrido em Porto Alegre exatamente dois meses depois, ou seja, em 12 de novembro de 1978.


Carlos Alfredo Claret, saiu do Brasil na condição de “deportado”, indo para a Suécia como REFUGIADO, onde vive até os dias de hoje.
 
 

 

 

 


O Movimento de Justiça e Direitos Humanos, tem o prazer de convidar para a exibição comentada - do filme: EL CLAVEL NEGRO*.
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