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Itália pedirá extradição de militar da Operação Condor

Itália pedirá extradição de militar da Operação Condor

Ex-coronel também é réu em processos na Argentina e no Uruguai
FREDY VIEIRA/JC
Se não extraditar Narbondo, Brasil terá de julgá-lo, projeta Krischke
Se não extraditar Narbondo, Brasil terá de julgá-lo, projeta Krischke

Um dos 35 militares e políticos sul-americanos que o Tribunal de Roma vai julgar pelo assassinato e desaparecimento de cidadãos italianos durante a Operação Condor vive em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. É o ex-coronel uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo.

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), que informou o paradeiro do militar em janeiro, também já soube que a Justiça italiana pedirá a extradição dele ao Brasil, revelou o presidente da organização, Jair Krischke, na segunda-feira. “Como ele é filho de mãe brasileira e tem cidadania brasileira, o Brasil não vai extraditá-lo, mas, ao receber a acusação, terá de julgá-lo aqui”, prevê Krischke, referindo-se aos impedimentos e possibilidades legais para o caso.

Além da Itália, Narbondo é réu em processos judiciais na Argentina e no Uruguai por participação em operações de assassinato de políticos e sequestros de militantes contrários ao regime uruguaio em 1976.

A Operação Condor foi um sistema de colaboração entre regimes militares do Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile para reprimir opositores das ditaduras dos anos 1970. O jornal O Estado de S. Paulo revelou, em sua edição da segunda-feira, a lista dos julgados pela Justiça italiana, que tem 17 uruguaios, 12 chilenos, 4 peruanos e 2 bolivianos. As acusações são de sequestro, assassinato e desaparecimento forçado, considerados crimes contra a humanidade.

A investigação que antecedeu o maior julgamento internacional sobre a Operação Condor levou 15 anos. O julgamento é focado na morte de 23 pessoas de cidadania italiana e acusa 35 militares e políticos latino-americanos por crimes contra a humanidade e pode condená-los até mesmo à prisão perpétua. 

Duas dessas 23 vítimas teriam sido sequestradas no Brasil e depois assassinadas. No entanto, nenhum militar brasileiro está na lista, embora os documentos mencionem uma dezena deles – entre os quais os então presidentes Ernesto Geisel (1974-1979) e João Baptista Figueiredo (1980-1985).

A Operação Condor, criada em 1975 – e que se estendeu até meados dos anos 80 –, reuniu militares de Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia em uma ação conjunta e sem fronteiras, com colaboração da CIA, agência de espionagem americana, para o combate às guerrilhas e outros movimentos de resistência à ditadura militar que dominava esses países.

Em 2005, o Ministério Público italiano chegou a uma primeira lista de indiciados – um total de 140 militares e políticos de toda a América Latina. Doze brasileiros faziam parte da lista. Além de Geisel e Figueiredo, os generais Antonio Bandeira, Edmundo Murgel e Henrique Domingues, o delegado Marco Aurélio da Silva Reis e Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho.

A Justiça italiana, porém, decidiu reduzir o âmbito do julgamento nesta primeira etapa, e limitou a lista dos acusados aos países onde sabe que poderá contar com a colaboração dos governos e nos quais se configurou uma responsabilidade direta pelas mortes - no caso, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia. Pesam sobre os acusados suspeitas de crimes contra a humanidade – sequestro, assassinato e desaparecimento forçado.


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