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Onde a esperança se refugiou - Acervo reúne material sobre as ditaduras na América Latina e está no Mavrs até 21 de outubro - Passo Fundo

Durante os 21 anos de vigência, entre 1964 a 1985, a ditadura militar no Brasil deixou um saldo de 366 pessoas mortas ou desaparecidas, submeteu outras 3,8 mil a algum tipo de tortura e encarcerou 200 mil presos políticos. Parte deste capítulo da história do Brasil, e também de outros países da América do Sul, que vivenciaram o mesmo terror, estão retratadas na exposição “Onde a esperança se refugiu” lançada segunda-feira, no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), em Passo Fundo. 

Organizada pelo Movimento da Justiça e Direitos Humanos (MJDH), a exposição foi lançada em 2013, ano em que o golpe militar no Brasil completou 50 anos. Desde lá, rodou por Porto Alegre, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Recife. O trabalho resgata o papel do MJDH no processo de resistência às ditaduras da América Latina, fazendo um recorte de tempo-espaço a partir da década de 1960 até os dias atuais, valorizando as suas dimensões históricas, políticas e pedagógicas.
Coordenadora do MAVRS, Tania Aimi diz que Passo Fundo é a primeira cidade do interior do país a receber o acervo. “Começamos as negociações ainda em 2013, quando o professor José Ernani era secretário municipal de Cultural” conta. A exposição permanece na cidade até 21 de outubro.
Dividida em cinco eixos, o material reunido é resultado de mais de um ano de pesquisa nos arquivos documentais do MJDH, Arquivo Público de São Paulo e por vários arquivos em Buenos Aires, na Argentina, que forneceram material de toda a América Latina. A mostra traz políticas de memória com mais de 2 mil fotos desse período, incluindo 366 rostos das vítimas da ditadura militar no Brasil e depoimentos inéditos de sobreviventes, trechos de canções de protestos, charges e ilustrações. Documentos e recursos multimídias revelam e contam passagens (algumas inéditas) dos chamados "anos de chumbo" vividos pelo Brasil e outros países latinoamericanos durante mais de vinte anos. O objetivo, segundo MJDH, é leva às novas gerações informações, consciência e experimentação desse período conturbado e sangrento da história latinoamericana.
No eixo desaparecidos, o visitante se depara com um painel com os rostos dos 366 brasileiros vítimas da Operação Condor, acompanhado de uma locução reproduzida em um sistema de som ambiental, menciona cada nome, idade, local e ano de desaparecimento. Entre as fotos, foram colocados alguns espelhos. No espaço, O movimento de Justiça e Direitos Humanos, dedicado à atuação do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, são destacadas ações de apoio e proteção às vítimas da perseguição política. O espaço inclui réplicas de telefones antigos, possibilitando que o visitante ouça a narração de fragmentos de cartas enviadas ao MJDH por familiares e vítimas da ditadura. 
Textos impressos em banners relembram casos que tiveram grande repercussão, como o do pianista brasileiro morto em Buenos Aires, um padre montonero desaparecido na fronteira gaúcha, a chilena que deixou a pé seu país, o argentino capturado pela Operação Condor em plena Copacabana. 
Durante a permanecia da exposição em Passo Fundo deve ocorrer um debate sobre o tema. O dia e local ainda não foram definidos. As escolas interessadas em visitar a exposição devem agendar previamente pelo telefone 3316.8586 ou 8587. A entrada é gratuita. O MAVRS fica aberto de terça a sexta das 8h30 às 17h30. Sábados e domingos das 13h30 às 17h30.


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